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terça-feira, 21 de junho de 2011

Amizade

                                                                                                                                                       
    A amizade é preciosa,

mas não é dizer apenas sim,
que com palavra enganosa,
há falsos amigos de mim.
Amigos de conveniência,
estão ali por breves momentos,
amigos de ausência,
fogem dos meus tormentos.
Amigos que viram costas
sempre que mais precisamos,
amigos de quem gostas,
com os que mais nos enganamos.
Amigos de circunstância,
que te aguentam enquanto ris.
Mas que depois vão com a distância,
quando simplesmente já não sorris.
Amigos de profissão,
cujo objectivo é descobrir
os teus pontos fracos
para com eles subir.
Amigos dos teus bens,
que te dão tanto sem pedir,
mas que quando nada tens,
estão prontos a partir.
Amigos que te enganam,
aqueles que gostam de te apoiar,
que com palavrinhas te acalmam,
mas que te querem tramar.
E quando estás no apogeu
das tuas vitórias na vida,
o maior ciúme é o seu,
gente de inveja roída.

Isto tudo não é amizade,
não é dar sem nada esperar,
não é elogiar sem com nada contar,
sentir a ausência e a saudade.
Isto não é amizade,
é um acto de cobardia,
para quem não se entrega e não sabe
que a amizade é alegria.
Alegrar-me pelos meus queridos,
mesmo estando muito triste,
são sentimentos merecidos
da amizade que persiste.
E um amigo verdadeiro,
não tem inveja, fica feliz, insiste,
é amigo por inteiro.

Mas, para além do que é bonito
de se dizer ou fazer,
um amigo também diz
coisas que nos fazem sofrer.
Os amigos abanam-nos
para nos chamar à razão,
mas não nos deixam de falar
até entenderem a nossa motivação,
o que nos levou a falar
a protestar, a objectar,
porque um amigo a sério,
perante uma atitude errónea,
é capaz de dizer não
mesmo que fique com insónia.

Ser amigo é ser capaz
de perdoar o que não tem perdão,
mas é também fazer finca-pé,
chamar o amigo à razão
e saber dizer não!

Não é ser amigo de sangue,
mas amigo de coração. 

segunda-feira, 20 de junho de 2011

MEU AMANHÃ É HOJE

                                                                 
Não sou nada, não fui nada.
Não quero ser nada; não
Eu só quero é andar na estrada.
 Eu perdi a ilusão

Anda por aí perdido.
Qual o vento sem destino
O meu coração menino
Não é escravo do tempo
Que importa se a noite escura
Devora a barra do dia.
Se a alma anda vazia
Vazio vai meu pensamento

Meus sonhos são tão reais
Nem vale a pena sonhar
O meu amanhã é hoje
Eu sei que já vou chorar!!!

Não sou nada, não fui nada...

contato: jardailha@hotmail.com

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Coração, você sou eu!

                                                                               
           Sinto inveja dos apaixonados

Sinto não poder falar juras de amor
Sinto não poder flutuar nas nuvens
Sinto não poder sentir amor

Não a vejo no horizonte ou no litoral,
Não vejo nada, meu amor perfeito nem se quer dá sinal
Tenho esperança de amar antes de morrer,
De morrer amando e quem sabe morrer com o meu amor ao meu lado,
 sorrindo só para mim
E que esse sorriso seja minha estrela guia na escuridão

De que me adianta ser dono do meu próprio coração
Se eu não tenho razão para telo
Quantas e quantas vezes recomecei do nada sem reclamar
Com paixões que eu acreditava que eram eternas
Mas que só me trazem desesperança
Falta de vontade de amar e só calejam meu coração
Ahh! Coração, me diz por que tem que ser assim
Não é certo não deixar saída
Você sempre esquece, que você sou eu !
Fabricio.S Cruvinel

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Simpatia é quase Amor!

                                                                                       
Simpatia – é o sentimento

Que nasce num só momento,

Sincero, no coração;

São dois olhares acesos

Bem juntos, unidos, presos

Numa mágica atração.
Simpatia – são dois galhos

Banhados de bons orvalhos

Nas mangueiras do jardim;

Bem longe às vezes nascidos,

Mas que se juntam crescidos

E que se abraçam por fim.
São duas almas bem gêmeas

Que riem no mesmo riso,

Que choram nos mesmos ais;

São vozes de dois amantes,

Duas liras semelhantes,

Ou dois poemas iguais.
Simpatia – meu anjinho,

É o canto de passarinho,

É o doce aroma da flor;

São nuvens dum céu d’agosto

É o que m’inspira teu rosto…

- Simpatia – é quase amor!
Casimiro de Abreu

sábado, 14 de maio de 2011

Canção na plenitude

                                                                                             
Não tenho mais os olhos de menina
nem corpo adolescente, e a pele
translúcida há muito se manchou.
Há rugas onde havia sedas, sou uma estrutura
agrandada pelos anos e o peso dos fardos
bons ou ruins.
(Carreguei muitos com gosto e alguns com rebeldia.)

O que te posso dar é mais que tudo
o que perdi: dou-te os meus ganhos.
A maturidade que consegue rir
quando em outros tempos choraria,
busca te agradar
quando antigamente quereria
apenas ser amada.
Posso dar-te muito mais do que beleza
e juventude agora: esses dourados anos
me ensinaram a amar melhor, com mais paciência
e não menos ardor, a entender-te
se precisas, a aguardar-te quando vais,
a dar-te regaço de amante e colo de amiga,
e sobretudo força — que vem do aprendizado.
Isso posso te dar: um mar antigo e confiável
cujas marés — mesmo se fogem — retornam,
cujas correntes ocultas não levam destroços
mas o sonho interminável das sereias.
Lya Luft

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Não sei quantas almas tenho.

                                                                   

Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que soque não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo : "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu.
Fernando Pessoa

terça-feira, 10 de maio de 2011

Por enquanto

                                                                     

Mudaram as estações
Nada mudou
Mas eu sei que
Alguma coisa aconteceu
Está tudo assim
Tão diferente...


Se lembra quando a gente

Chegou um dia a acreditar
Que tudo era pra sempre
Sem saber
Que o pra sempre
Sempre acaba...

Mas nada vai
Conseguir mudar
O que ficou
Quando penso em alguém
Só penso em você
E aí, então, estamos bem...

Mesmo com tantos motivos
Pra deixar tudo como está
Nem desistir, nem tentar
Agora tanto faz
Estamos indo
De volta pra casa...

Cássia Eller

sábado, 9 de abril de 2011

Jardins fechados

                                                           

Todos os jardins deviam ser fechados,
com altos muros de um cinza muito pálido,
onde uma fonte
pudesse cantar
sozinha
entre o vermelho dos cravos.
O que mata um jardim não é mesmo
alguma ausência
nem o abandono...
O que mata um jardim é esse olhar vazio
de quem por eles passa indiferente. 

Autor: Mário Quintana

quarta-feira, 6 de abril de 2011

O MEU POEMA

                                                                              


Queria oferecer-te um poema
Que fosse único, só para ti
Sem uma frase pequena...
Que dissesse o que vai em mim!

Ansiedade e uma dor dorida,
Uma paz há muito sentida,
Uma vida para trás perdida,
Mas, mostraste-me uma vida
Digna de ser vivida!

Queria ser eu e não recordação,
Queria ser o presente e o futuro,
Queria um outono menos duro,
Um lugar no teu coração!

Mas, afinal o que sou?
Sou apenas o momento....
Instante sem tempo marcado;
Instante que desconheço o fim!

Mais uma linda poesia Portuguesa
De autor desconhecido

sábado, 2 de abril de 2011

Canção de outono

                                                                      

Perdoa-me, folha seca, 
não posso cuidar de ti.
Vim para amar neste mundo, 
e até do amor me perdi.

De que serviu tecer flores
pelas areias do chão, 
se havia gente dormindo 
sobre o própro coração?

E não pude levantá-la!
Choro pelo que não fiz.
E pela minha fraqueza
é que sou triste e infeliz.
Perdoa-me, folha seca!
Meus olhos sem força estão
velando e rogando áqueles 
que não se levantarão...

Tu és a folha de outono 
voante pelo jardim.
Deixo-te a minha saudade
- a melhor parte de mim.
Certa de que tudo é vão.
Que tudo é menos que o vento,
menos que as folhas do chão.


sábado, 19 de março de 2011

Ao longe


                                                                                        

Ao longe, ao luar,
No rio uma vela,
Serena a passar,
Que é que me revela ?
Não sei, mas meu ser
Tornou-se-me estranho,
E eu sonho sem ver
Os sonhos que tenho.

Que angústia me enlaça ?
Que amor não se explica ?
É a vela que passa
Na noite que fica.
Fernando Pessoa

domingo, 6 de março de 2011

Prospecção

                                                                                  

Não são pepitas de oiro que procuro.
Oiro dentro de mim, terra singela!
Busco apenas aquela
Universal riqueza
Do homem que revolve a solidão:
O tesoiro sagrado
De nenhuma certeza,
Soterrado
Por mil certezas de aluvião.
Cavo,
Lavo,
Peneiro,
Mas só quero a fortuna
De me encontrar.
Poeta antes dos versos
E sede antes da fonte.
Puro como um deserto.
Inteiramente nu e descoberto.

                 Miguel Torga

sábado, 26 de fevereiro de 2011

A canção da vida!

                                                            
  A vida é louca

a vida é uma sarabanda
é um corrupio...
A vida múltipla dá-se as mãos como um bando
de raparigas em flor
e está cantando
em torno a ti:
Como eu sou bela
amor!
Entra em mim, como em uma tela
de Renoir
enquanto é primavera,
enquanto o mundo
não poluir
o azul do ar!
Não vás ficar
não vás ficar
aí­...
como um salso chorando
na beira do rio...
(Como a vida é bela! como a vida é louca!)
                                                                    

Mário Quintana

                                                                       


 

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Poética


    De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo.

A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte.

Outros que contem
Passo por passo:
Eu morro ontem

Nasço amanhã
Ando onde há espaço:
– Meu tempo é quando.       
 
.
Vinícius de Moraes